Tarte de marmelo invertida, ao estilo tatin, com marmelos caramelizados sobre uma base de massa folhada.

Tarte de marmelo: uma alternativa à marmelada

Esta tarte de marmelo junta o marmelo fresco, caramelo e massa folhada numa sobremesa de outono feita com apenas três ingredientes e sem esforço. É uma maneira de aproveitar os marmelos da estação e dar-lhes um destino diferente da habitual marmelada. A preparação dura um pouco, por isso convém reservar-lhe tempo, mesmo que a lista de compras seja curta.

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Tarte de marmelo para aproveitar a fruta da época

Estamos na altura dos marmelos e, quando penso no que fazer com eles, a marmelada surge quase automaticamente. Mas desta vez apetecia-me sair desse registo e levar a fruta à mesa numa sobremesa para cortar à fatia.

O ponto de partida foi uma receita de tarte Tatin de maçã do chef Mark Moriarty. Mantive o processo e mudei a fruta: em vez das oito maçãs, usei três marmelos médios, descascados e sem caroços.

O marmelo tem personalidade suficiente para esta troca. O seu perfume e a textura firme dão interesse a uma tarte em que a fruta fica em destaque. O caramelo acrescenta intensidade e a massa folhada dá o contraste crocante. Com tão poucos ingredientes, cada um tem de fazer a sua parte.

A marmelada tradicional continua a ter o seu lugar. Esta tarte é simplesmente mais uma resposta à pergunta que regressa todos os outonos: o que fazer com marmelos?

Mais receitas com marmelo

Quando chega a altura de ver marmelos na zonas da fruta, a tentação de fazer marmelada é grande, pelo que aqui fica a minha receita e uma outra para tirar o melhor partido desta fruta de época.

marmelada
bolo invertido de marmelo caramelizado

Porque resulta esta tarte Tatin de marmelo

O marmelo é um fruto firme, por isso interessa amaciá-lo sem o desfazer. Queremos pedaços que se consigam cortar com o garfo, mas que mantenham presença na tarte.

Também interessa o equilíbrio de texturas. A fruta macia e o caramelo pedem uma base que ofereça alguma resistência à dentada. É aqui que entra a massa folhada: leve, com camadas, e suficientemente discreta para deixar o marmelo ser o protagonista.

Não acrescentei canela, baunilha ou outros aromas. Nesta adaptação, a ideia foi mudar apenas a fruta e perceber o que o marmelo trazia à receita.

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Tarte de marmelo invertida, ao estilo tatin, com marmelos caramelizados sobre uma base de massa folhada.

Tarte de marmelo (versão tarte tatin)

Porções 6 fatias
1 hora 10 minutos

Ingredientes

  • 3 marmelos médios descascados e sem caroços
  • 120 g de açúcar branco fino
  • 1 placa de massa folhada

Preparação

  • Forre a forma com papel vegetal. Derreta o açúcar em lume médio-alto até formar caramelo castanho-escuro, sem queimar. Verta cuidadosamente na forma e deixe endurecer.
  • Corte os marmelos em quartos. Coza a vapor cerca de 20 minutos, até começarem a ceder à faca. Deixe arrefecer 20 minutos.
  • Disponha a fruta sobre o caramelo, bem aconchegada, preenchendo os espaços.
  • Corte a massa num círculo ligeiramente maior do que a forma. Cubra a fruta, encaixe as bordas nas laterais.
  • Pré-aqueça o forno a 175 °C e leve a cozer durante 35 a 40 minutos.
  • Aguarde 30 minutos. Inverta a forma sobre um prato e retire cuidadosamente o papel vegetal.

Notas

os 15 minutos a vapor são uma referência. A firmeza dos marmelos e o tamanho dos pedaços podem alterar o tempo necessário: confirme com a ponta de uma faca e prolongue a cozedura se a fruta ainda estiver demasiado dura. Deve começar a amaciar, mantendo a forma.

Dicas para a tarte ficar bem

A Tarte de marmelo é uma sobremesa invertida de massa folhada, preparada com marmelos previamente cozidos a vapor e caramelo, que combina fruta macia com uma base dourada e estaladiça.

  • Corte com cuidado. O marmelo oferece resistência, sobretudo junto ao caroço. Use uma tábua estável e uma faca bem afiada, apoiando a fruta numa face plana antes de continuar o corte.
  • Procure pedaços de tamanho semelhante. Assim, é mais fácil conseguir uma textura uniforme. Se alguns pedaços forem muito maiores do que os restantes, podem ficar mais firmes no centro.
  • Controle o caramelo pela cor e pelo cheiro. Um caramelo intenso não deve saber a queimado. Se escurecer em excesso e cheirar a queimado, vale mais recomeçar: a fruta não vai corrigir esse amargor.
  • Mantenha a massa folhada fria até à montagem. É mais fácil cortá-la e manuseá-la sem a esticar ou deformar.
  • Escolha um prato com margem e algum rebordo. Ao desenformar, pode escorrer caramelo. Use pegas, segure bem o conjunto e tenha atenção ao líquido quente.

Variações

A versão base leva apenas marmelos, açúcar e massa folhada. As variações devem acrescentar um apontamento de sabor, deixando o aroma da fruta em primeiro plano.

Para uma versão com canela, polvilhe os marmelos cozidos com uma pequena quantidade antes de cobrir com a massa. O aroma acompanha o lado tostado do caramelo.

Para um contraste mais fresco, acrescente um pouco de raspa fina de laranja à fruta já arrefecida. Use apenas a parte colorida da casca, evitando a zona branca e amarga.

Também pode terminar a tarte, depois de desenformada, com algumas amêndoas laminadas previamente tostadas. Acrescentam crocância à superfície sem alterar a preparação.

Conservação e congelamento

A tarte fica melhor no próprio dia, quando a massa ainda mantém o contraste com os marmelos macios.

Para guardar, coloque as sobras num recipiente fechado no frigorífico, sem as deixar mais de duas horas à temperatura ambiente. Consuma nos três dias seguintes; este prazo fica dentro da orientação geral de conservação de alimentos cozinhados refrigerados.

Antes de servir, pode aquecer uma fatia no forno até estar quente. A massa recupera algum estaladiço, embora não fique igual ao primeiro dia.

Pode congelar a tarte já cozida, em fatias bem acondicionadas, mas a massa folhada pode perder textura ao descongelar. Descongele no frigorífico e aqueça no forno antes de servir; para esta sobremesa, a congelação é sobretudo uma forma de aproveitar sobras.

Sugestões de vinhos

O caramelo pede um acompanhamento que consiga lidar com a doçura da sobremesa. Estes três vinhos portugueses são sugestões para esta receita.

Bacalhôa Moscatel de Setúbal 5 Anos

Os aromas cítricos acompanham o marmelo. A doçura do vinho liga-se ao caramelo.

Ferreira Porto Tawny

Sugiro-o para acompanhar o lado tostado do caramelo. É uma opção de harmonização mais intensa.

Blandy’s 5 Anos Malvasia Doce

As notas de toffee acompanham o caramelo. A acidez ajuda a equilibrar a doçura da tarte.

Alternativa sem álcool

Um chá preto com casca de laranja acompanha o aroma da fruta. Sirva sem açúcar para contrastar com o caramelo.

Como servir

Esta tarte de marmelo pode ser servida ainda morna, com o marmelo em destaque. Uma bola de gelado de baunilha acrescenta contraste de temperatura; uma colher de iogurte grego natural oferece uma opção menos doce.

São acompanhamentos opcionais. A tarte também pode chegar à mesa tal como sai da forma, com uma chávena de chá ao lado.

Tarte de marmelo invertida, ao estilo tatin, com marmelos caramelizados sobre uma base de massa folhada num prato branco.

Perguntas sobre a Tarte de Marmelo – Uma Receita responde:

Sim. Nesta receita, os marmelos são usados descascados e sem caroços. Retire também a zona mais dura que envolve as sementes.

A receita está descrita para marmelos frescos. Fruta previamente cozida pode ter outra textura e teor de água, por isso não deve ser tratada como uma substituição direta, sobretudo se tiver sido cozida em calda.

A marmelada tem açúcar acrescentado e uma textura completamente diferente. Não substitui os pedaços de fruta nesta tarte.

Não. A massa folhada vai ficar em baixo e a receita já tem açúcar suficiente para se transformar numa sobremesa incrível, preparada sem grande esforço.

Depois de arrefecer, guarde a tarte de marmelo tapada no frigorífico. A massa folhada tende a perder crocância em contacto com a humidade da fruta; para recuperar alguma textura, aqueça a fatia no forno em vez de usar o micro-ondas.

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